Enxergar bem não tem preço

 
Por Zilá Guimarães Horta

Esta semana repassaram um email do Dr. Dráuzio Varella, cujo título é “Médicos versus planos de saúde”, onde no final ele diz: “ Longe de mim desmerecer qualquer tipo de trabalho, mas eu teria medo de ser atendido por um médico que vai receber menos que um encanador...”. Neste artigo ele se refere ao honorário médico médio de R$ 20,00 por uma consulta.

Ao pesquisar data e fonte deste artigo, para minha surpresa, o mesmo havia sido publicado em 18/09/04, na Folha de São Paulo. Como pode um artigo, após 6 anos, ser tão antigo e ao mesmo tempo tão atual?

Uma pequena reflexão e alguns aspectos devem ser considerados. Na área de serviços, por que pagamos felizes em média para: uma manicure R$ 35,00 por semana, um cabeleireiro R$ 150,00 quinzenalmente, um pacote de 10 massagens R$ 700,00, um teatro R$ 70,00, um show de R$ 120,00 a R$ 800,00, uma diária de hotel R$ 280,00? Por que pagamos facilmente por um carro R$ 60.000,00, um jantar a dois R$ 300,00, viagem ao exterior R$ 5.000,00, sapatos, bolsas e roupas uma média de R$ 1.000,00 por mês? E por que sempre negociamos preço com os médicos, dentistas, fisioterapeutas e áreas afins?

Não há justificativa plausível para esta distorção. Não podemos nem devemos esperar mais para espalhar em alto e bom som que “ENXERGAR NÃO TEM PREÇO”. Nós somos os únicos culpados pela desvalorização dos serviços médicos. As indústrias e serviços em geral, divulgam seus produtos, associando-os à beleza, bem estar, felicidade e status. O médico sempre foi visto como um “salvador”, uma organização sem fins lucrativos, que trabalha por caridade. Ele se colocou nesta posição.

É hora de mudar. Educar o paciente para valorizar o que deve ser valorizado. Saúde e educação em primeiro lugar. A começar por nós, que devemos “enxergar” o nosso valor. Quando um paciente entrar no seu consultório e se queixar do preço, pergunte: “Quanto vale o seu olho?”. Afirme com veemência: “Enxergar bem não tem preço”.

Os planos de saúde devem existir para cobrir despesas hospitalares. Para honorários, nós é que devemos fixar os valores. Não podemos aceitar, com todo o respeito a todas as profissões, receber o mesmo que uma manicure que não tem todos os riscos e nem os investimentos envolvidos em nossa especialização. Enxergar bem tem o seu preço!


9/2/2010

 
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