Saúde privada quer atender 50% do País e investir em tecnologia

 
O setor de saúde segue em ampla expansão no País e movimenta perto de R$ 300 bilhões ao ano, sendo responsável hoje por 7% do Produto Interno Bruto (PIB). Concorrido e com o objetivo de atingir metade da população (não só a economicamente ativa) nos próximos anos, as empresas do ramo (sejam de planos de saúde, laboratorial, hospitais ou até drogarias) anunciam planos de crescer, e para 2011 estão atentas a tendências como: aumento do leque de produtos e serviços, uso de novas tecnologias e ampliação e qualificação dos quadros de funcionários, conforme pesquisa recente feita pela Amcham Brasil.

Com lucro líquido 56% maior no ano passado, cerca de R$ 130 milhões, ante o ano anterior, o Grupo Fleury divulgou expansão de 13,9% de sua receita bruta no ano que passou - a qual atingiu R$ 934,5 milhões. "Os expressivos resultados em 2010 foram alcançados, sobretudo pela otimização da rede de unidades de atendimento, ampliação do portfólio de serviços e forte crescimento de nossas operações hospitalares e dos serviços de medicina preventiva", declarou o ex-presidente Mauro Figueiredo.

O executivo apresentou os resultados na última sexta-feira (25), mas acaba de ser substituído na presidência do Grupo por Omar Hauache. Para Mauro Figueiredo, é inexorável a adoção de novas tecnologias médicas para o setor continuar aquecido. "Elas vão aumentar ainda mais o tempo e a qualidade de vida de nossos clientes, mas também aumentam nossos custos. Equacionar tudo isto é a grande questão".

Termômetro disso é que a indústria de equipamentos e suprimentos para o setor médico-hospitalar cresceu 18% em 2010 em relação a 2009. E por falar em crescimento, a assistência odontológica expandiu-se em 230% nos últimos 5 anos - mas ainda atinge só 7,2% da população.

No caso da empresa de planos médicos, a operadora Bradesco Saúde também apresentou resultados expressivos. A empresa viu faturamento de R$ 5,9 bilhões ano passado. O destaque foi o aumento da carteira de pequenas e médias empresas, a qual apresentou expansão de 35,9% em relação ao ano anterior. Já a SulAmérica, que também comercializa serviços voltados a tratamentos médicos, informou ter registrado, em 2010, lucro líquido de R$ 614 milhões. Cerca de 63% das operações da empresa correspondem a planos de saúde. O bom desempenho da SulAmérica no setor é explicado pela venda de planos novos e pelos reajustes aplicados às apólices vigentes.

Márcio Serôa, presidente da Bradesco Saúde, observa: "O setor é fortemente pró-ciclíco - ou seja, vai bem quando a economia vai bem e vai muito mal quando ocorre o contrário, como em 2009. Ele responde rapidamente às oscilações na renda da população". Por outro lado, a boa notícia é que o item saúde parece ter se incorporado em definitivo à pauta de benefícios das empresas no Brasil: "Quase não há hoje empresas que tenham funcionários registrados sem plano de saúde corporativo. Este é um dos nichos da atividade que mais vão se expandir daqui para a frente".

Apesar do cenário favorável ao mercado de prestação de serviços e produtos médicos, há questões delicadas e que preocupam: a saúde é das poucas atividades econômicas que ainda tem seus preços controlados pelo governo. "O problema é que geralmente somos autorizados a aumentar nossas mensalidades cerca de 6% ao ano, ao passo que a inflação específica do setor costuma bater em 9% ao ano", explica Mohamad Aki, diretor-presidente da Unimed. Ele também informou no encontro que a Unimed espera crescer 10% em 2011.

Outra preocupação diz respeito às pesquisas e tecnologia, que são considerados imprescindíveis para a atividade hospitalar para o presidente da Rede D'Or, Jorge Moll. Ele revela que sua empresa aplica R$ 10 milhões ao ano em pesquisas, e pretende aumentar esta rubrica. Mas Moll chama a atenção para questão da judicialização da medicina nacional. "Cada vez mais somos obrigados a entregar a alguns clientes tratamentos que não estavam previstos nos contratos que eles assinaram, por força de liminares judiciais. Trata-se de uma distorção que nos prejudica bastante".

O último grande empecilho à saúde privada (e no caso, também à saúde pública) brasileira é a dificuldade que o País tem de formar mão de obra para o setor. "Não raro recebemos, em nossas farmácias, novos funcionários que sequer conseguem compreender a bula de um remédio. Acabamos tendo de investir fortemente em treinamento para suprir uma carência que é, na verdade, da sociedade como um todo", lamenta Claudio Roberto Ely, presidente da rede Drogasil.

A saúde suplementar brasileira viu crescer sua receita à taxa média anual de 14,5% entre 2001 e 2009 e teve uma expansão média ao ano de 6,2% no período, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Embora ainda não estejam consolidados os números de 2010, as companhias esperam ter no ano passado tirado o atraso que a crise de 2009 lhes causou - e já sonham com um futuro onde o sistema privado de saúde nacional abarque 50% de toda a população, ou até mais, segundo informaram os executivos. "A população já coloca, nas pesquisas de opinião, o item saúde como sua maior preocupação, na frente até de educação ou segurança. Trata-se de uma mudança cultural que irá render frutos nos próximos anos e décadas", afirma Márcio Serôa da Bradesco Seguros. James Moll, da Rede D'Or, destaca um paradoxo da área: "No Brasil, temos um número até excessivo de hospitais, mas poucos leitos para o tamanho da população. Precisamos, portanto, otimizar o uso dos hospitais já existentes, acima de tudo.

 
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