Dia de luto contra os planos de saúde

 
A cena é inusitada. Durante o XV Congresso Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, os cerca de 6.000 tocoginecologistas trocarão as vestes brancas, tradicionais aos médicos, por jalecos pretos. O luto é um sinal de protesto contra os planos de saúde tanto pelos honorários indignos quanto pela interferência no exercício da boa medicina.

Segundo César Eduardo Fernandes, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo, SOGESP, essa é mais uma etapa da campanha iniciada em maio pela valorização profissional. Existe descontentamento generalizado entre os especialistas, alimentando o sentimento de que, a continuar a situação como está, logo não haverá mais profissional disposto a trabalhar na saúde suplementar.

“A dignidade do tocoginecologista está gravemente comprometida pelo aviltamento dos valores pagos pelas consultas e procedimentos realizados pelos planos e operadoras de saúde”, afirma Fernandes.


Focos importantes

Um dos focos da ação é a valorização do tocoginecologista de São Paulo; o outro, a qualificação da assistência à mulher. Os honorários vis pagos aos médicos por certos planos e operadoras de saúde têm sido denunciados sistematicamente, assim como a falta de prioridade com que as pacientes são tratadas pelas empresas.

Atualmente, há planos que pagam R$ 200,00 (bruto) ou menos por um parto. Só para ter uma idéia, a filmagem do parto custa em regra cinco vezes mais do que os médicos recebem para colocar uma vida no mundo e cuidar de outra vida preciosa: a da mãe. As consultas ficam na média dos R$ 25,00 (bruto), chegando a algo em torno de R$ 5,00 (líquido), conforme recente estudo da Associação Paulista de Medicina.

De acordo com a coordenadora da Comissão de Honorários da SOGESP, Maria Rita de Souza Mesquita, atualmente existe um consenso por parte de ginecologistas e obstetras de que o exercício da especialidade no estado de São Paulo está tornando-se inviável. Aliás, na residência médica já se percebe claramente o fenômeno do desaparecimento dos obstetras. A remuneração vil é, sem dúvida, o motivo da falta de interesse.

 
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