CONCORRÊNCIA SALUTAR x PREDATÓRIA

 
Prezados colegas.

A UNIMED-Rio é a operadora que melhor remunera o médico na cidade do Rio de Janeiro, embora não atinja o ideal. Isto obriga as demais operadoras de primeira linha, na nossa cidade, como Amil, Bradesco, SulAmérica e Golden Cross, a reajustarem seus valores para não ficarem defasadas. Em janeiro deste ano, a Petrobras AMS reajustou fortemente o valor da consulta, passando para R$ 80,00. Alardeou em seu boletim (anexo) que era a empresa que melhor pagava ao médico. Ficou claro que tomou esta iniciativa para se posicionar bem diante dos petroleiros, hoje, o principal sindicato de classe. Há dois anos, Bradesco e SulAmérica fizeram o mesmo colocando propagandas ostensivas em jornais locais. Afirmavam, ora um, ora outro, que eram eles que pagavam melhor aos médicos. Esta competição, provocada pela UNIMED-Rio, é extremamente salutar para nós médicos, vendo operadoras disputando para nos pagar bem.

O problema surge com as Unimeds de intercâmbio, que remuneram a consulta com um deságio de 22,81% e com defasagem marcante nos honorários cirúrgicos. Muitas singulares, mal administradas, sobrecarregam o ideal cooperativista de melhor remuneração. Um fator importante do cooperativismo diz respeito a cobertura em todo território nacional (inclusive pequenas cidades do interior), objetivo sequer conseguido pelas poderosas seguradoras (Bradesco e SulAmérica) que se limitam a reembolsar seus beneficiários quando são atendidos fora dos principais centros. Muitas singulares competem com nosso carro-chefe, a UNIMED-Rio, vendendo planos por valores ridiculamente baixos, atraindo clientes ávidos por gastar menos, mas com a garantia de uma rede nacional de qualidade. Empresas do Rio, contratam por licitação, planos de saúde para seus funcionários nas Unimeds fora da cidade ou mesmo do estado, alguns bem longínquos. Estes pacientes acabam sendo atendidos em nossos consultórios no Rio de Janeiro. As empresas para as quais trabalham não têm filiais fora do Rio, nem os pacientes têm parentes ou afinidades nestes locais. Algo está errado, esta concorrência é predatória!

Fica claro que não cabe culpa à UNIMED-Rio por este desequilíbrio. Sou de opinião que devemos questionar a UNIMED-Brasil por esta situação de descalabro.

Mais do que isto, é preciso repugnar as operadoras que aviltam nosso principal mercado de trabalho, remunerando com valores irrisórios o nosso serviço. Não faz sentido exigir consulta acima de R$ 50,00 das operadoras de primeira linha e aceitar passivamente valores bem inferiores de operadoras que prejudicam ostensivamente o mercado de planos de saúde.

Muitas destas operadoras visam clientes da classe C e D, que procuram fugir do mal atendimento da rede pública de saúde. É evidente que os valores cobrados à estes beneficiários têm de ser muito inferiores aos cobrados pelas operadoras de primeira linha que visam o segmento das classes A e B, de maior poder aquisitivo. Quem recebe bem menos só pode pagar na mesma proporção. O que não se entende é como médicos e clínicas com bons convênios aceitam os convênios voltados para o outro segmento. Ou seja, seria como um restaurante de classe, francês a la carte, aceitar bandeijão, a peso, no mesmo salão. Vira samba do crioulo doido! Perde-se a referência. Quem procura restaurante fino quer toalha, talher, copo, guardanapo de gabarito. No bandeijão a qualidade tem que ser outra!

Se o cliente não perceber esta diferença ele irá optar sempre pelo mais barato e as operadoras populares irão prevalecer. Nossos honorários, sucumbirão!

Vamos nos prevenir de problemas futuros, cortando o mal pela raíz, questionando os convênios que nos pagam mal. A COOESO pode ajudá-lo, pressionando os maus pagadores, deixando claro que para ter uma rede de bons prestadores é preciso pagar bem!


Nelson Louzada
Presidente da COOESO-RJ e
Coordenador de Honorários Médicos do CBO







 
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