PARECER SOBRE TONOMETRIA

 

 

 

Glaucoma é, atualmente, a segunda causa de cegueira irreversível no mundo (1).

 

Estima-se que 3 milhões de americanos se tornem glaucomatosos por volta do ano de 2020 (2), um número que deverá trazer implicações graves de saúde pública. Estimativas entre nós dão conta da existência de 800 a 900 mil glaucomatosos no Brasil.

 

De acordo com o 2o Consenso da Sociedade Brasileira de Glaucoma (3):  “a pressão Intra-ocular (PIO) é o principal e maior fator de risco para o desenvolvimento da neuropatia óptica glaucomatosa.

 

O valor normal da PIO é um dado estatístico oriundo de estudos da distribuição da PIO na população brasileira (13,0 +/- 2.1 mmHg) e não deve ser aplicado para cada indivíduo de forma isolada.

 

A PIO segue um ritmo circadiano variando durante os horários do dia em um mesmo indivíduo.

 

A variação média da PIO em um mesmo olho, nas 24 horas, pode alcançar até 5 mmHg. Usualmente, o valor da PIO é semelhante nos 2 olhos. Diferenças entre ambos acima de 4 mmHg devem ser considerados como indício de anormalidades, logo sujeito a esclarecimentos. D

 

O estudo da pressão intra-ocular é, atualmente, ferramenta fundamental no rastreamento da neuropatia óptica glaucomatosa”.

e glaucomatosos com PIO < 21

 

 

Sabe-se que a flutuação da PIO é considerada um dos principais fatores de risco para progressão do Glaucoma (4).

 

No ano de 1989 foi consolidado, pela Academia Americana de Oftalmologia, o termo “PIO alvo” para designar-se pressão intra-ocular que não acarretaria aparecimento ou alteração da neuropatia óptica glaucomatosa (5).

 Este é um número que deve ser individualizado, de acordo com o exame clinico de cada paciente.

 

Segundo o primeiro consenso sobre a PIO realizado entre os especialistas líderes da Associação Mundial de Glaucoma (WGA) e lançado durante o Congresso Mundial de Glaucoma, em 18 de julho de 2007 em Cingapura, (6) foram avaliados sete pontos de consenso para ajudar a determinar como a PIO deveria ser medida e usada, para que se possa entender melhor seu papel geral no glaucoma: determinação da PIO – medição da

 

 

 

PIO – variação da PIO – epidemiologia da PIO – a PIO como fator de risco para o desenvolvimento de glaucoma – ensaios clínicos e PIO – PIO alvo na prática clínica.

 

O relatório do consenso foi baseado em mais de duas décadas de pesquisas avançadas, as quais confirmaram que a PIO é um dos principais fatores de risco modificáveis para o glaucoma.

 

 

Foi confirmada que a diminuição da PIO é a única abordagem que previne e retarda a progressão do glaucoma, logo ela deve ser conhecida e aferida em todos os pacientes durante consulta oftalmológica.

 

Realmente, a tonometria isolada tem pouco valor no rastreamento do glaucoma primário de ângulo aberto, porém, associado com avaliação criteriosa do nervo óptico (anatômica e funcional) aumenta muito nossa acurácia em suspeitar, diagnosticar e acompanhar os pacientes.

 

 

 

Rio de Janeiro, 06 de agosto de 2007.

 

 

 

Dra. Mara Lúcia Machado Fontes

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Glaucoma

 

 

 

 

 

 

 

(1) Resnikoff S, Pascolini D, Etya`ale D, et al. Global data on visual impairmente in the year 2002. Bull World Health Organ 2004;82:844-51.

(2) Eye Diseases Prevalence Reserch Group. Prevalence of open-angle glaucoma among adults in the United States. Arch Ophthalmol 2004;122:532-8.

(3) Consenso Brasileiro de Glaucoma de Ângulo Aberto (2: 2005:      São Paulo)

(4) Asrani S,Zeimer R,Wilensky J. Large diurnal fluctuations in  intraocular Pressure are an independent risk factor in patients with Glaucoma. J Glaucoma 2000;9:134-42.

(5)AAO,1989 - “Preferred Practice Pattern for Patients  With Open Angle Glaucoma”

(6) www.prnewswire.com/cgi-bin/stories.pl?ACCT=PRNI2&STORY=www/story/07-18-